Thursday, June 08, 2006

A Bíblia, A besta e 666.



"Aqui há a sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis."Apocalipse 13:18.
No detalhe: As feras/bestas de Daniel.

Sobre interpretações da Bíblia.
Antes de falar da besta, do 666 e do Apocalipse, eu preciso fazer uma introdução sobre a Bíblia e as interpretações dela. A verdade é que a Bíblia é um livro simples. As malditas interpretações dela é que complicam a situação de quem tem curiosidade sobre o texto sagrado. Nessas horas eu lembro de uma frase de Mae West (atriz americana contemporânea de Marylin Monroe. Era conhecida por suas aventuras sexuais e comportamento ultra-liberal): O que me incomoda na Bíblia não são as partes que não entendo. O que me incomoda são justamente as partes que entendo. (tá sem aspas por que tô citando de cabeça). Ou seja, o essencial, não precisa de interpretação pessoal e mirabolante.
Atualmente, as pessoas vêem a Bíblia como um talismã, como um livro totalmente simbólico e ambíguo, ou um livro para consultar uma ou outra referência de um escritor um tantinho mais culto que a média nacional. Até hoje eu fico surpreso com a quantidade de pessoas que ficaram assombradas com "O Código Da Vinci" e nunca leram um evangelho sequer!
Mas voltando ponto inicial, as interpretações da Bíblia são as mais variadas. Por isso, o negócio é a pessoa pegar O livro, abrir e ler. Acreditem, a maior parte da Bíblia não precisa de interpretação teológica especial para ser compreendida.
Ainda assim, existem passagens complexas: Sonhos, visões, profecias, parábolas etc que exigem um pouco mais do leitor. Mas, ainda assim, muita coisa dá pra o leitor entender sem ter de recorrer a interpretações pessoais de teólogos confusos e outros "Boffs" da vida. É só usar a Bíblia para entender a própria Bíblia. É simples, mas dá muito trabalho.
Funciona assim: Você lê que Abel fez um sacrifício de um ovídeo. E essa é a primeira vez que se fala de sacrifício na Bíblia. Aí, você lê mais tarde que Noé fez sacrifícios de ovídeos e caprídeos ao sair da Arca. Mais tarde você lê que Abraão quase sacrificou seu filho Isaque após uma ordem divina. Séculos depois os sacrifícios viram exclusividade dos sacerdotes depois que Moisés institui a Torá. E assim vai até chegar a Jesus Cristo e o supremo sacrifício. O conceito de sacrifício se desenvolve a medida que vamos lendo as histórias bíblicas. Quando chegarmos a ler as cartas apostólicas no final do Novo Testamento, precisamos ter esse histórico todo na mente para entender o quê os apóstolos estão dizendo. Como vêem, não é complicado. Apenas dá trabalho.
Infelizmente, a maioria do teólogos, pastores etc inventam interpretações a partir de suas idiossincrasias. Resultado: Milhares de religiões "cristãs" reivindicado para si o "verdadeiro" entendimento bíblico.
Mas, vamos ao que interessa. Só gostaria que vocês vissem que a explicação para a fera/besta e o seu número é simples, mas dá um trabalho danado!

A besta.
A Bíblia fala de bestas e feras desde o início. No livro de Gênesis fala-se de monstros marinhos criados por Deus. Mais tarde, no livro de Jó, fala-se de duas criaturas impressionantes chamadas de "Beemote" e "Leviatã". Dizem que eram o Hipopótamo e o Crocodilo respectivamente. Mas, há controvérsias. Mas, o que interessa mesmo é a visão que um judeu teve em Babilônia por volta do sexto ou sétimo século antes de Cristo.
Leiam Daniel capítulo 7 e capítulo 8. O capítulo 7 narra uma visão que o profeta Daniel teve. No capítulo 8 ele explica a mesma visão.
O profeta viu várias feras/bestas saindo do mar, exatamente como o apóstolo São João Evangelista veria séculos depois. Cada fera tem uma característica. Um leão com asas e coração de homem, um urso com três costelas na boca, um leopardo com quatro cabeças e quatro asas e uma outra fera/besta totalmente incomum, com dentes de ferro, chifres que falam e aparência bizarra.
No capítulo 8 ele mesmo explica o que são essas feras. A primeira representa o reino de Babilônia, a segunda a Medo-Pérsia, a terceira a Grécia e a quarta é um reino não identificado. Mas tudo indica que é o Império Romano e mais tarde o Império Anglo-Americano. Mas o que importa aqui, é que Daniel identifica essas feras que sobem do mar como sendo governos, nações ou reinos. Logo, "aquele que tem entendimento" veria claramente que o apóstolo João se refere a governos políticos quando fala da fera/besta.
E não é verdade que ninguém pode comprar ou vender sem permissão do governo? Exatamente como o apóstolo escreveu no Apocalipse!
Curiosidade: Pouca gente sabe, mas Sir Isaac Newton dedicou mais tempo ao estudo da profecia de Daniel do que a seus experimentos científicos.
Curiosidade2: A associação "Estado – Leviatã" de Hobbes não é original.

666.
O número seis aparece pela primeira vez com destaque na Bíblia na época do Rei Davi. Os israelitas (o povo escolhido de Deus naquela época) viviam em guerra com os filisteus e os refains. Esses dois povos eram conhecidos por terem guerreiros de tamanho extraordinário. O mais famoso deles é Golias (aquele que foi derrotado pelo adolescente Davi). Mas na tribo do refains havia um outro igualmente temível, que mais tarde foi derrotado por um sobrinho de Davi. E ele tinha uma característica bem significativa. Vejam o relato no segundo livro de Samuel, capítulo 21, versículos 20 e 21: "E houve mais uma vez guerra em Gate, havendo lá um homem de tamanho extraordinário, com seis dedos em cada uma das suas mãos e seis dedos em cada um dos seus pés, vinte e quatro em número; e ele também nascera aos refains. E ele escarnecia de Israel. Finalmente o golpeou Jonatã, filho de Simei, irmão de Davi."
O cara era inimigo do povo de Deus e tinha seis dedos em cada mão e em cada pé. Essa é a primeira vez que o número seis aparece com destaque na Bíblia.
A segunda vez que o número aparece é ainda mais significativa para mim. Pois revela exatamente o significado do nome ou o número da fera/besta. Aconteceu muitos séculos depois de Davi. O povo de Deus havia se corrompido. Violência, imoralidade, injustiça eram coisas comuns. A hipocrisia religiosa e política imperava. O povo de Deus não podia mais ser chamado assim devido a crassa imoralidade reinante em todos os segmentos da sociedade. Depois de inúmeras profecias indicando que o povo não gozaria mais de proteção especial de Deus, os babilônios invadiram a terra de Judá , saquearam e destruíram o templo do Deus dos judeus - Jeová (ou Javé, ou Yahweh, outra hora explico sobre isso.). Muitos judeus morreram e os poucos inocentes foram deportados para a cidade de Babilônia (era a Nova Iorque, a Londres ou São Paulo da época). Lá os judeus foram integrados a sociedade caldéia ou babilônica. Um judeu de destaque chamado Daniel foi convocado para servir na corte do rei de Babilônia, Nabucodonosor. O livro de Daniel conta o período que ele passou na corte em Babilônia. Desde sua juventude até sua velhice. Além de registrar suas experiências na corte, ele registra sonhos, visões e outras profecias messiânicas. É um livro poderoso. Depois de Eclesiastes é o meu livro predileto na Bíblia.
Em Daniel capítulo 3 (leiam na Bíblia que a história é muito boa!) vemos três judeus que se recusam a reverenciar uma imagem que tem 60 côvados de altura (medida que vai do cotovelo a ponta do dedo médio. O côvado é uma unidade de medida antiga, eqüivale a aproximadamente 50 cm atuais. ) e 6 côvados de largura. Era um símbolo nacional e religioso ao mesmo tempo e o rei Nabucodonosor ordenou (vejam bem, ORDENOU) que todos se prostrassem de modo reverente de frente para a imagem. Os três judeus não fizeram isso. Por duas razões: Primeiro fazer isso constituía idolatria e isso era condenado nos Dez Mandamentos. Segundo, os judeus acreditavam num futuro governo judeu. Apesar de estarem sem pátria, sem nação, sem eira nem beira, eles acreditavam que um dia viria um Messias descendente de Davi que traria um governo mundial tendo Judá como base desse governo. Em vista disso, era inconcebível para eles mostrar lealdade de forma tão explícita a um governo estrangeiro. Resultado: Os três foram jogados numa fornalha. Leiam o desfecho na Bíblia. É uma história e tanto.
Mas o ponto é: O número seis aparece em conexão com um governo que oprime os que querem seguir a Deus e as normas das Escrituras Sagradas.
Conclusão
Essas duas histórias (a do gigante com seis dedos e a da imagem 60 côvados por 6 côvados de Nabucodonosor) lançam luz sobre o tal número da fera/besta. Já vimos que a fera/besta representa a estrutura política mundial. Agora, vemos o significado no número seiscentos e sessenta e seis (e não "meia-meia-meia" como alguns dizem) : Os governos (todos eles, sem exceção) são inimigos da soberania divina e daqueles que defendem essa soberania. Exatamente como o tal gigante refain era. Além disso, os governos (todos eles, sem exceção) impõem sua soberania aos indivíduos, principalmente aos indivíduos que levam à sério a máxima de Cristo: "A César o que é de César. A Deus o que é de Deus". Reparem que todo governo têm um ou mais hinos nacionais, um ou mais símbolos nacionais e o que pedem dos cidadãos? Patriotismo! "Pátria amada, idolatrada (epa!), Salve! Salve!"
Isso explica muita coisa sobre antisemitismo e sobre perseguição aos cristãos.
Juntando tudo, a conclusão é a seguinte: A fera/besta representa a estrutura política da sociedade mundial. O número/nome 666 (seiscentos e sessenta e seis) indica que essa estrutura política persegue os que acreditam no governo de Deus e apoiam a soberania divina contra a soberania humana. Segundo o Apocalipse, a fera/besta é influenciada pelo próprio Dragão. Isso explica muita coisa, não?!
Espero que ninguém fique surpreso com essa visão da Bíblia sobre os governos humanos. Mas, se você faz ou já fez a oração do Pai Nosso - de certa forma - você tá pedindo que o governo divino ("vosso Reino") resolva os problemas humanos. Você tá pedindo pra Deus acabar com os governos humanos e fazer a Sua (Dele, Deus) vontade aqui na Terra. Esse é o tema central da Bíblia.

Ufa! Que maratona! Esse negócio me deixou cansando, Luc! Vê se pede uma coisa mais fácil na próxima vez!!

6 comments:

Luciane said...

Prometo que não te peço mais nada nos próximos 25 minutos...Darei uma trégua.
Mas eu não podia ser egoísta...Eu sempre adorei essa sua explicação.

É de uma simplicidade genial.
Eu tentei explicar, prá Ana, certa feita, mas claro que não é a mesma coisa.

AMEI!!!!
bjus bjus bjus

PS.: Se você avistar pessoas estranhas no seu blog, não se assuste, não é ninguém do MLST, é que eu andei divulgando para as meninas aqui do trabalho.

Mari said...

Parabéns, Onildo! Um verdadeiro trabalho de pesquisa... seu Blog, táo útil, e o meu, tão fútil...

Aff!

Beijos!!!
E o Blogger acordou do sono dos (in)justos!

Beijão again!

Rômulo said...

Não entendi, com esses dois posts... hehe

"os judeus acreditavam num futuro governo judeu. Apesar de estarem sem pátria, sem nação, sem eira nem beira, eles acreditavam que um dia viria um Messias descendente de Davi que traria um governo mundial tendo Judá como base desse governo."

Mas isso não é exatamente o que falam sobre o anti-Cristo?

Um homem, que vai governar o mundo, 'que vem por si mesmo', coisa e tal? o_O

Outro dia eu até tava lendo um livro, dos mais noiados, em que acontecia o "Arrebatamento de Deus", e o anti-Cristo vinha para governar os que foram "Deixados para Trás" (esse eh o nome do livro)- um cara que unifica o mundo sob a bandeira da ONU, super carismático, mas que na verdade é mauzão e tals ^^"

=/
[]'s

Blogildo said...

Rômulo, quando escrevi que "os judeus acreditavam num futuro governo judeu. Apesar de estarem sem pátria, sem nação, sem eira nem beira, eles acreditavam que um dia viria um Messias descendente de Davi que traria um governo mundial tendo Judá como base desse governo" eu estava falando de um período Antes de Cristo. É que as profecias messiânicas do Velho Testamento ainda tinham se cumprido. Quase 500 anos depois daquele episódio de Daniel, apareceu Jesus Cristo - que desapontou os judeus.
O ponto é que a Fera/Besta é um dos anticristos. E que não existe "O Anticristo".
Isso é mistificação das palavras de S.João Evangelista. O anticristo é mais uma atitude do que uma pessoa.
É mais ou menos isso...

Abraço!

Rômulo said...

Hmmm... Esses judeus, sempre polêmicos =P

[]'s

Anonymous said...

eu sei que cada um tem sua opinião, mas o sistema politico ou o G8 É A BESTA MAS A MERETRIZ É OS U.E.A , MAS LEMBRE-SE QUE NÃO É SÓ À BESTA, O DIABO PASSAR O SEU PODER PARA ELA EU TE DIGO MEU AMIGO QUE ESSE JA ESTA EM
USA O PODER DELE , COMO TECNOLOGIAS AVANÇADAS QUE IMPRECIONA AS PESSOAS NO MUNDO INTEIRO SUJA DO SITE DO OBAID QUE O CONTRARIO SIGNIFICA DIABO A MAQUINA QUE NA SUA FRENTE NESSE SITE NAO PRECISA DIGITAR SO FALA QUE O COMPUTADOR RESPONDE . MEU MSN FLAVIO1047@HOTMAIL.COM