Thursday, November 09, 2006

A Bíblia e a questão da soberania VI – A mulher (primeira parte).


Anjo impede Abraão de sacrificar Isaque. (Rembrandt)

Vale dizer que a identidade da mulher de Gênesis capítulo 3, versículo 15 era um segredo que seria revelado aos poucos. O apóstolo Paulo fala dessas coisas em suas cartas. E o esclarecimento de Gênesis capítulo 3, versículo 15 é chamado de "mistério que esteve oculto desde todos os séculos" na carta de Paulo aos Colossenses capítulo 1, versículo 26. Então, a identificação não é coisa simples. É tarefa hercúlea e não sei se tenho a capacidade necessária para desenvolver isso. Mesmo assim vou encarar a empreitada. Se eu começar a ficar chato demais ou confuso de mais, favor avisar.

E é significativo que durante a história dos israelitas o enfoque era sempre no descendente. Afinal, esse descendente é quem iria machucar a cabeça da serpente e resolver aquelas questões e acusações contra Deus que a serpente levantou no Éden. Lembra das acusações e questões, Luc? 1) Você não dá verdadeira liberdade as suas criaturas inteligentes. 2) Você é mentiroso! 3) Quem deve decidir o que é bom e o que é mau? O ser humano ou Deus? 4) O homem pode se governar sozinho sem Deus? Tem uma outra questão que foi levantada nos dias de Jó. Mas, a gente fala mais tarde sobre isso. É uma das mais importantes pois, juntamente com essas quatro questões, essa quinta questão ajuda a responder biblicamente a pergunta mais difícil que os deístas têm de encarar: Por quê Deus permite o sofrimento?

O descendente da mulher teria de dar uma resposta a essas questões para que, por fim, machucasse a cabeça da serpente. Além disso, o descendente da mulher teria seu calcanhar machucado também, segundo Gênesis capítulo 3, versículo 15.
Lembram da história de Abraão? Pois é, toda a história de Abraão é um drama profético que representa uma verdade bíblica superior. Isso fica claro no caso do sacrifício de Isaque. Vamos resumir o caso:
- Abraão era casado com Sara. Ambos eram idosos e Deus havia dito que o descendente de Abraão se multiplicaria e abençoaria todas as nações. Abraão não tinha filhos, pois Sara era estéril. Sara teve então uma idéia. Naquele tempo era costumeiro (ou seja, culturalmente aceitável) que uma escrava fosse concubina de seu patrão. Sara tinha uma escrava egípcia chamada Agar. Sara deu a escrava para que Abraão tivesse um filho com ela. Agar teve um filho chamado Ismael.
Apesar da boa intenção, esse não era o plano de Deus. Ele disse a Abraão: Sara, tua esposa, deveras te dará à luz um filho, e terás de chamá-lo pelo nome de Isaque. E vou estabelecer com ele o meu pacto como pacto por tempo indefinido para o seu descendente depois dele. 20 Mas, quanto a Ismael, eu te ouvi. Eis que vou abençoá-lo e fazê-lo fecundo, e vou multiplicá-lo muitíssimo. Ele produzirá certamente doze maiorais, e eu vou fazer dele uma grande nação. 21 No entanto, meu pacto eu estabelecerei com Isaque, que Sara te dará à luz neste tempo designado no ano que vem." Gênesis capítulo 17, versículos 19 até 21.

Diz a lenda que Ismael deu origem aos atuais muçulmanos. Isaque deu origem ao povo judeu. O nome Isaque siginifica "riso", pois Sara riu quando Deus disse que ela ficaria grávida apesar de ser idosa.
Mas, o ponto que quero destacar aqui é o teste que mais tarde Deus fez a Abraão: Então, depois dessas coisas, sucedeu que o [verdadeiro] Deus pôs Abraão à prova. Conseqüentemente, disse-lhe: "Abraão!" a que ele disse: "Eis-me aqui!" 2 E prosseguiu, dizendo: "Toma, por favor, teu filho, teu único filho a quem tanto amas, Isaque, e faze uma viagem à terra de Moriá e oferece-o ali como oferta queimada num dos montes que te designarei." Gênesis capítulo 22, versículos 1 e 2.
Quem quiser ler todo o relato verá detalhes interessantes, que o tempo não me permite destacar aqui. Mas, o fato é que Abraão fez o que Deus pediu: Por fim chegaram ao lugar que o [verdadeiro] Deus lhe designara, e Abraão construiu ali um altar e pôs a lenha em ordem, e amarrou Isaque, seu filho, de mãos e pés e o colocou no altar, por cima da lenha. 10 Abraão estendeu então a sua mão e tomou o cutelo para matar seu filho. 11 Mas o anjo de Jeová começou a chamá-lo desde os céus e a dizer: "Abraão, Abraão!" ao que ele respondeu: "Eis-me aqui!" 12 E ele prosseguiu, dizendo: "Não estendas tua mão contra o rapaz e não lhe faças nada, pois agora sei deveras que temes a Deus, visto que não me negaste o teu filho, teu único." Gênesis capítulo 22, versículos de 9 até o 12.

Tudo o que aconteceu com Abraão e Isaque foi um drama profético que prefigurava o que o próprio Deus faria. Afinal, na Bíblia as situações se repetem a nível profético. Ficou confuso? Explico: Abraão representava o próprio Deus. Isaque representava o Filho de Deus. E Deus, igual a Abraão, apresentou seu filho como um sacrifício. Ou seja, toda a história de Abraão é uma espécie de drama profético que esclarece conceitos bíblicos mais profundos e complexos.

Então, se Abraão representa Deus e Isaque representa Cristo, pergunto: Quem ou o quê representa Sara? Quem ou o quê representa Agar (a escrava egípcia) e seu filho Ismael?

6 comments:

Lucia Bee said...

Que nó, heim?
Vamos por partes.
Segundo entendi Sara e Agar são as mães dos dois povos, Sara é a mãe do povo escolhido como berço para Jesus e Agar a mãe dos filhos por adoção - de que falam os apóstolos. Seria isso?
Sara é impossibilitada de gerar filhos e recebe a visita e anuncio de sua gravidez , por intermédio dee um anjo. Maria também está impossibilitada [culturalmente, e isso vale como reflesão]e recebe o anúncio por um anjo.
Agar é a mãe natural, coabita com Abrão e sua gravidez é natural. A providência divina vem à Agar por intermédio de sua manutenção, quando é mandada para o deserto e protegida, tendo sua decendência prosperado prosperado.
Então, Ismael não é o início do povo mulçumano mas de toda a raça humana, esceto aquela parte que dará início e exemplo do cumprimento dos mistérios divinos.
Tanto Jesus quanto o chamado apóstolo dos gentios, Paulo, descendem de Sara.
Ora, então o drama segue até nossos dias e a guerra permanente que se vê no Oriente Médio pode ser encarada como um novo ato do mesmo drama, com os dois protagonistas/exemplo, demostrando a seqüência da história: Um povo representa o Criador, recebe a adesão dos adotivos por Cristo e estão dispostos a se deixar governanr pelo Pai, outro povo nega a Cristo O Filho de Deus e por conseguinte, nega a Deus Pai, não se deixando governar por Ele.
Daí vamos ao Apocalipse de João e as duas mulhers que lá são citadas?

Posso estar completamente enganada. Por favor, continue.

Lucia Bee said...

Blogildo,
Desculpe os erros no texto anterior.

Blogildo said...

Você não está longe da verdade. hehehehehe!

Pistas em:
-Isaías 54.
-Carta aos Gálatas capítulo 4, versículos 21 até o 26.
-Apocalipse capítulo 12

Lucia Bee said...

Há coisa mais linda e perfeita?
Quando penso em tudo isso, fico maravilhada.
Como eu gostaria que todas as pessoas pudessem mergulhar nesses mistérios.

João Batista said...
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Anonymous said...

Sara representa a igreja do Senhor a qual esta rindo das suas promessas,mas se humilhando quando as mesma se cumpre, mas logo vem o noivo ao resgate da sua noiva a igreja do Senhor!!!