Friday, April 27, 2007

Bodas de madeira.

Amanhã completam cinco anos de minha vida conjugal com a ‘senhora Blogilda’. Eu não sei exatamente a origem do costume de nomear o aniversário de casamento com “bodas disso”, “bodas daquilo” etc. A patroa disse que cinco anos são “Bodas de madeira”. Vai ver que é o período de tempo que leva para o casal se transformar numa dupla de caras-de-pau. Se for, eu tenho de concordar. A cumplicidade que vai se estabelecendo com os anos de casado acaba levando a isso, acho eu. Tenho um amigo que certamente vai me presentear com um vidro de óleo de peroba com o rótulo trocado para “loção pós barba”. Ele tem razão! Nesse caso eu mereço.

Sei que a maioria discorda mas eu considero o casamento algo perene. Eu escolhi uma pessoa para compartilhar o restante da minha existência com base nos critérios, anseios e sentimentos que eu tinha há cinco anos. Muitos desses critérios, anseios e sentimentos mudaram. Expectativas foram realizadas ou frustradas com o decorrer da vida conjugal. Não entrarei em detalhes pois teria de escrever um tratado longo sobre isso. Mas tenho certeza que independente de questões espirituais, muito do que consegui até hoje devo a minha mulher. Não há como mensurar o quê ou quanto pois não se pode contar a história que não aconteceu. Não sei o que eu conseguiria ou perderia por não ser casado.

O que faz um casamento durar cinco anos ou mais? Amor? Felicidade? Realização? Sexo? Essas coisas têm a sua importância, mas certamente o senso de compromisso é uma das coisas que fazem o casamento durar. Eu achava essa palavra pesada demais antes de casar. Hoje percebo que nos comprometemos o tempo todo sem sequer pensar muito nisso. A gente se compromete com um trabalho, com a palavra empenhada, com uma amizade, com uma filosofia, com uma crença, uma religião etc. Além disso, existe o famoso “pacto social” (que para alguns justifica toda a moral existente). Por que então não se comprometer com uma pessoa? É claro que compromissos podem ser – e freqüentemente são – abandonados. Mas nem sempre. Então, creio que junto com o amor, felicidade etc, o senso de compromisso é algo válido para manter um relacionamento. Ele sozinho não deve manter um casamento, claro, mas ajuda!

Tem gente que afirma com sinceridade que se não há mais felicidade então o casamento deve acabar. Eu acho isso um tanto vago. Já me senti infeliz sem saber exatamente a razão. Minha mulher já se sentiu infeliz também. Mas nunca pensamos em acabar o casamento por não estarmos felizes. Outro aspecto um tanto estranho ao meu ver é que a felicidade é algo subjetivo. Então um dos cônjuges pode estar infeliz e o outro não. Pior, o outro pode se esforçar para ajudar o infeliz e não ter êxito. É justo o infeliz dar um “pé na bunda” do feliz em nome de sua futura felicidade? Acho que para um liberal a resposta é óbvia. Claro que sim! O individualismo, a liberdade e a razão são as únicas coisas que importam. Logo, eu não precisaria me preocupar com a futura felicidade de meu cônjuge, só com a minha. Se eu raciocinei errado, por favor, corrijam.

Em minha pouca experiência nesse sentido tenho visto que é muito raro os dois quererem o divórcio ao mesmo tempo. Normalmente há um insatisfeito que fica desgastando a relação até que o divórcio se torne a única opção possível e civilizada. Conheço poucos casos em que ambos queriam a separação e terminaram o relacionamento de modo civilizado e sem rancores e mágoas deixadas para trás.
É experiência pessoal, vou avisando! Meu mundinho é muito pequeno e posso estar errado quanto a isso. Mas é o que tenho visto.

Mais outra coisa que a meu ver também é importante para a perenidade do casamento: Respeito mútuo. Quando um casal começa a se odiar mutuamente quer dizer que o respeito já foi pra cucuia há muito tempo.

Felizmente no meu caso o casamento ainda se sustenta por existir amor, amizade, respeito, cumplicidade e felicidade. E também o senso de compromisso, claro! Felicidade aumentada agora com a chegada iminente da minha filha que já responde aos estímulos externos e tenho certeza que aprenderá a falar ‘papai’ antes de falar ‘mamãe’. Rsrsrs! Obviamente minha mulher não concorda...

11 comments:

ROÇA COISA É OUTRA LIMPA said...

O casamento é um livro cujo primeiro capítulo é escrito em verso, e os demais, em prosa...
Mas pode ser uma boa prosa!

PATRICIA M. said...

Gostei da definicao do Roca, haha. Eu encaro de outra forma: acho que eh a constituicao de uma pequena empresa, com contrato registrado. O dia em que a balance sheet da empresa tiver mais liabilities do que assets, declara-se falencia.

:-)

Angelo da C.I.A. said...

Sensacional, BLogildo!
Meus parabéns pelo casamento e,mais uma vez, pela filhinha.

Quando estiver prestes a nascer sua herdeira, avise por favor pois faço questão de mandar presentes. Quem sabe até te dê algumas dicas do que é ser pai de uma menina.

Um grande abraço,
Ângelo

Blogildo said...

Obrigado, Angelo! A herdeira já está aprendendo canções dos Beatles e dos Stones. Rsrsrs!

Concordo, Patrícia. E se é uma empresa a gente tem de fazer o possível para dar lucro! Rsrsrs!

Roça, não conhecia essa definição. Vou usar essa para impressionar a patroa!

PATRICIA M. said...

Blogildo, logico! O objetivo principal de qualquer empresa eh fazer lucro. Logico que depende da competencia da direcao da empresa, ne? Hahahaha.

Papo mais capitalista!!!!

Serjão said...

Cara, legal o seu texto. Parabéns mas não há nada de cara de pau nisso. As coisa dão certo. Ainda bem que ainda dão. Eu poderia pontuar algumas coisas que vc escreveu mas seu blog não permite cópias.

Não existe mesmo receita de bolo. E vc está absolutamente certo quanto aos processos de divórcio. Geralmente a porrada come mesmo.

Dei uma gargalhada quando li sobre o sua visão de compromisso. Vc acha meio pesado, né? Meu caro, minha intuição diz que vc enrolou muuuuito essa pobre moça (rs)

E parabéns pela filhota. Quem venha com muita saúde.
E há de vir, se Deus quiser.

Um abração

Ricardo Rayol said...

Se encontrar a resposta a tantas perguntas irá ficar rico.

Clarissa said...

Onildo... os meus parabéns ao casal :)
No filme «Shall we dance», com o Richard Gere, a propósito do casamento,a certa altura uma personagem afirma que casamos porque precisamos de alguém que seja testemunha da nossa vida. A nossa pequenez, a nossa ânsia de eternidade, precisam de ser colmatadas com um qualquer sentido para as tormentas que nos assolam ao longo das nossas vidas. As dores que se choram e partilham entre as quatro paredes do lar, passam a ter algum sentido quando são testemunhadas por alguém, quando esse alguém sabe ver os pequenos/grandes sacrifícios do quotidiano, os pormenores que mais ninguém vê e que definem quem somos. Os filhos são o fruto dessa eternidade procurada,a linhagem que garante que algo de mim permanece, mesmo quando a memória de quem fui se tiver escoado, os meus genes permanecerão depois de mim, depois do meu tempo.
Não se trata só do instinto animal de procriação e de manter a espécie, trata-se do medo da morte, do medo da falta de sentido para a vida;
Um abraço grande

João Bosco said...

Parabéns pelas Bodas de Madeira.
Casamento é coisa séria realmente, é compromisso, é parceria, é amor total sim.
Agora, como pai de menina, sugiro Pink Floyd e Mozart.
Sobre qual será a primeira palavra, sem discussão: "papai"!
Esta é uma das melhores fases da vida, mas fique tranquilo, outras virão igualmente felizes.

O Direitista said...

Parabéns, Onildo. Que vcs cheguem às bodas de diamante...

João Batista said...

Estou comprometido a finalizar a digestão do Onildo. Ah, que pena que não tenho os arquivos da AOL....Hahaha!

Bom, com licença que vou pro Google pesquisar as origens pagãs da tradição das bodas...