Sunday, August 26, 2007

Tropa de Elite.

Primeiro lugar: sou contra a pirataria. É bom deixar isso claro. Já li boas defesas por parte de alguns liberais justificando a pirataria. Ainda assim discordo. O direito autoral é um direito aparentado com o direito de propriedade. Assim, não dá pra ser a favor de algo que fere o princípio do direito de propriedade.
Mas não posso bancar o ingênuo puritano. Muitos de meus amigos compram produtos piratas sem dor na consciência. Não os censuro por isso.
Mas não quero falar sobre pirataria.

Há cerca de duas semanas, em minhas viagens na cidade do Rio, me vi diante de uma situação diferente. Sempre vi os camelôs da cidade vendendo DVDs piratas. A cena é quase um dado da paisagem: ponto de ônibus lotado e vários "quiosques" de camelôs vendendo de tudo. Entre os tais camelôs há sempre um com um "stand" de DVDs com os filmes mais recentes em cartaz no cinema. Ou com filmes que ainda entrarão em cartaz. Normalmente o tal camelô tem uma Tv de 14 ou 20 polegadas (alguns têm de 29 polegadas) exibindo algum filme pra "chamar o cliente".
Lá estava eu no ponto esperando o "busão" enquanto via o Wagner Moura com o uniforme preto do BOPE (Batalhão de operações especiais da PM), cara de mau, subindo o morro ao som de "Tropa de elite/ osso duro de roer / pega um pega geral/ também vai pegar você".

Por duas semanas todos os "quiosques" de camelô do Rio não reproduziam filmes estrangeiros. Só dava Wagner Moura! Tropa de elite "pegou geral".

Vale aqui uma segunda consideração: Sempre detestei filme nacional। Sem exceções। Quero dizer, tem uma. Tirando o "Auto da Compadecida" do Guel Arraes, tudo o que se produziu no cinema nacional é lixo. Até o superestimado "Cidade de Deus" não me agrada muito. O problema do cinema brasileiro merece um estudo. Quanto mais o governo mete a mão peluda na produção pior é a bilheteria. E o conteúdo é sempre engajado e com "conscientização social". Enfim, porre.

Um primo de um amigo de um colega do tio do meu cunhado comprou a cópia pirata. Não resisti e assisti ao filme. E querem saber? É o melhor filme nacional dos últimos tempos. Não que o filme fuja a regra dos filmes nacionais. Não foge! Mas fiquei surpreso com algumas coisas.

Roubo.
O filme está inacabado. Parece que alguém roubou uma cópia antes do diretor concluir a edição. Tenho certeza que esse fato vai influenciar a conclusão da edição de filme. Afinal, muita gente já viu e não espera que as personagens mudem tanto assim. Se bem que isso é possível. Mas só a história desse roubo já merecia outro filme.

PMs honestos?
Outra coisa que vai dar o que falar é o fato de o filme apresentar PMs honestos. Caras idealistas trabalhando sério num ambiente moralmente corrompido.
Já estou até vendo alguns críticos salientando o "maniqueísmo" do filme.

BOPE glamourizado.
Quando eu era mais novo sempre me perguntava a razão de não termos o nosso John McClane ou nosso Dirty Harry. Agora a molecada tem o Capitão Nascimento. Wagner Moura está muito bem como o Capitão de um batalhão do BOPE que está a procura de um substituto à sua altura. O Capitão Nascimento também é o narrador das histórias envolvendo os dois PMs honestos - os amigos de infância Neto (Caio Junqueira) e André (André Ramiro) - que conseguem se sobressair e, mais tarde, fazer parte do BOPE.

ONG em favela?
A única ONG que aparece no filme é colocada em luz desfavorável. E já imagino os esquerdistas gritando: "Mas existem ONGs sérias"; "O filme é preconceituoso"; "É um desrespeito com quem faz um trabalho de inclusão social em favelas" e outras baboseiras desse tipo. Achei ótimo o fato de mostrar - ainda que pouco - a realidade e o jogo de interesses por trás das ONGs.

Maconheiros mauricinhos.
Numa cena o batalhão sobe o morro e dá um dura nos traficantes. Na operação alguns bandidos morrem. Quando o BOPE rende um grupo de bandidinhos, um deles se diz estudante. Aquele tipo que a gente conhece: Estuda e mora no asfalto e sobe a favela pra "se divertir". Então segue o diálogo entre o Capitão Nascimento e o estudante:

- Você é estudante é? (Esfregando a cara do estudande no ferimento de um bandido morto) Quem matou esse cara aqui?
-Eu não sei!
- VOCÊ VIU! (dá uns bofetes no estudante) Quem matou esse cara aqui?
- Foi um de vocês!
- UM DE VOCÊS O CA.....! QUEM MATOU ESSE CARA AQUI FOI VOCÊ! VOCÊ É QUEM FINANCIA ESSA MERDA!

Frases como essa são repetidas várias vezes no filme: Quantas crianças a gente vai ter de perder pro tráfico para um playboy rolar um baseado?

Faculdade de Direito e a lavagem cerebral esquerdista.
Numa das melhores cenas que já vi no cinema nacional, André (o PM honesto que quer ser advogado) está no meio de uma aula da faculdade de Direito. Parece que é filosofia ou sociologia. Mas o grande barato é que o professor está falando de instituições que oprimem o povo - principalmente os pobres - e são instrumentos de dominação. O professor pede um exemplo. E, obviamente, o exemplo é a PM. André torce o nariz, mas ninguém sabe que ele é PM. E cada mauricinho e patricinha da faculdade começa a falar de casos em que foram "oprimidos" pela PM. Uma guria chega a dizer: Nós, da classe média, também somos prejudicadas por esse bando. Aí, o André começa a falar da falta de informação dazelites.

Questão racial.
André é negro e idealista. Neto, seu melhor amigo, é branco. A questão racial não é abordada no filme. Todos são indivíduos. André namora a patricinha Maria (a gatíssima Fernanda Machado). André está mais a vontade entre o pessoal da classe média alta do que Neto. Coisa muito comum no Rio de Janeiro! Aqui NÃO EXISTE RACISMO! Ao menos, não a ponto de justificar cotas raciais e outras medidas de "inclusão social".

Passeatas.
Quem nunca sentiu vontade de desmascarar aquele ator, ou aquela patricinha, que a gente tem certeza que sempre compra pó e maconha de traficante, mas é figurinha fácil nas passeatas pela paz? Sinta-se então vingado! André interrompe uma passeata dessas e desmascara todos os maconheiros que estão ali. E o Capitão Nascimento - onipresente no filme - manda bem num trecho ao narrar essa cena: Ninguém faz passeata pra morte de policial.

Concluindo, o filme é no mínimo interessante. Ele está disponível para download em vários sites. Ainda assim, vou assistí-lo no cinema. Primeiro, o filme não foi acabado. Segundo, quero ver a versão definitiva, pois, temo que vão censurar muita coisa no filme e quero ver o quê.

20 comentários:

S said...

o direito autoral é patrimonial, que envolve bens imaterias e não de propriedade.
Além disso, o povo quer consumir. Não importa como. Eu faço questão de ter originais. Mas por mera vaidade...
Eu tenho uns cds importados que custam mais de 100 pilas e meus amigos não tem condições de comprar. Faço cópia e dou de presente. Claro!
Isso não é comercialização. Então me sinto bem porque não estou comentendo nenhum crime! =D
Assim como já ganhei de presente cópias que me deixaram muito feliz!

E sobre o BOPE, já ví uma semana atrás e achei sensacional! Mas tenho mais uma vez que discordar sobre vc sobre o cinema nacional. Acho que nunca se fez filmes tão bons como ultimamente e achei bastante legal ver que conseguimos fugir do estima deprimente de que só éramos capazes de produzir pornochanchadas e afins.
E sobre a tal lavagem cerebral esquerdista que vc cita, eles estavam trabalhando com o livro "Vigiar e Punir" de Foucault. E tenho que te avisar que o tal filósofo é absolutamente anticomunista, antimarxista ou seja lá o que vc queira dizer. E é fato, a polícia faz parte do braço armado do estado e é um de seus intrumentos de dominação, vc quer, queira ou não.
Se informar antes nunca é demais...
Mas a parte que eu mais goste foi a que ele critica "playboy com consciênca social". Foi ótimo!
Bjus

S said...

Putz, sobre meu primeiro parágrafo, eu andei lendo aqi na net e achei referencia falando que é propriedade imaterial.
Agora vou ter que perguntar a alguém... O erro pode ser meu. =/

S said...

Onildo, to grilada com o que eu escreví, pq na lei tá como direito de propriedade mesmo. É acho que escrevi merda! ha ha
Pena que não vai dar pra editar. Minha vergonha vai ficar exposta aí até eu conseguir tirar a dúvida com alguém! haha
Bjus

S said...

Oi Onildo, depois de ouvir uma lição sobre conceito de patrominio por telefone voltei aqui para dizer que vc está certo! =P
Agora bem que valia uma alfinetada, "se informar antes nunca é demais..." haha
Bjus

ROÇA COISA É OUTRA LIMPA said...

Tá anotado!
Se vc diz que vale a pena, eu acredito, até por por ter a mesma opinião quanto ao Auto da Compadecida.

ROÇA COISA É OUTRA LIMPA said...

Blogildo, um bom site para vc acompanhar:http://www.grandevaia.org/
inclusive o site é aministrado por velhos alunos do meu novo mestre.

Ollie McGee said...

Boa dica, esse filme. Será que já tem jeito de baixar pelo E-mule? =)

rosa said...

Vamos aguardar sair no cimena, assim como voc� n�o consumo produtos piratas, mais por quest�es "o barato sai caro" do que qualquer outro motivo. Mas o cinema nacional tem muita coisa boa, na maioria das vezes generalizamos tudo, estes dias vi um filme com a Gl�ria Menezes e o Tarcisio Meira (antiguissimo), sem recurso algum de camera essas coisas modernas, mas muito bom.
Abra�os

Serjão said...

Eu tb não sou chegado a filme nacional. Mas existem exceções. Gostei muito de Bye-Bye Brasil e O que é isso, Companheiro. Eu não sou nenhum cinéfilo mas A Elite da Tropa eu quero ver. Mesmo pq eu li o livro e fiz a crítica no Blog num post que teve um ótimo Feedback (http://serjaocomentadoceu.blogspot.com/2006/07/elite-da-polmica.html) inclusive foi linkado no Blog da Santa. Foi o tipo da coisa que me fez ver que ainda vale a pena escrever Blog pelo debete que se desenvolveu.
Estou realmente intressadoe em assistir.
PS: Vc leu o livro? O filme é fiel?

Abs

PATRICIA M. said...

Ei, nao quer me mandar esse filme de presente? Hehehehehehe. Gostei, gostei mesmo! Eu odiei Cidade de Deus, odiei Carandiru. Alias, acho que em Carandiru que foi heroi foram os policiais, aqueles bandidos tinham mais eh que morrer mesmo. Adorei a critica internacional sobre o filme, pegaram na veia: mostra os bandidos como pobres coitados bonzinhos e a policia como malvada. E deram nota ruim. E o filme nao ganhou o oscar, oh que delicia. Senti-me vingada.

O cinema nacional eh uma porcaria subsidiada pelos pagadores de impostos desse pais, para que uns poucos cineastas idiotas possam sobreviver com o nosso dinheiro (como se eles precisassem, anyway, a maioria vem de familia rica mas quer mamar na teta do Estado). Se o cinema nacional fosse bom, dava publico e nao precisaria de subsidio nenhum, o pessoal pagaria ingresso para ver. Como eh uma bosta, nao rende nada.

A policia nao eh instrumento de dominacao, pelo menos nao em paises desenvolvidos. A policia deve cuidar de seguranca publica, assim como as forcas armadas devem cuidar da seguranca nacional. So em paiseco meleca de terceiro mundo a policia eh comprada como no lastimavel caso do Rio de Janeiro e vira nao instrumento de dominacao dos governantes, mas instrumento de repressao da populacao por parte dos traficantes.

Vai, me manda uma copia de presente, hehehehehehehehehehehe. Depois te passo o endereco. Quer algum video ingles???

Costajr said...

Gostei do roteiro! Blogildo para crítico de cinema!

Gostei muito do Os Filhos de Seu Francisco. Não sei se você viu, mas éum dos poucos filmes nacionais que trata a miséria sem a apologia do pobrismo.

Th.R@ch said...

Pois é, Marcelo tb viu e disse q é mto bom. Fica me falando pra assistir direto, ainda não deu tempo... Aliás.. nem terminei Casablance, nem O mercador de Veneza, mas eu hei de vê-los essa semana!!! E BOPE tb, aí a gente conversa sobre... Ah, já assisti Star Wars III, mto show, amei! Só não gostei q o Anakin agora usa máscara e capacate... Droga!! Rsrsrsrs...
Até amanhãããããã!!
Bjsssss

Ricardo Rayol said...

Tirando a viagem do policial honesto parece que vale. Não sou mauricinho nem muito menos fui maconheiro, mas meu contato com a policia do Rio foi o pior possivel. Obvio que tem os honestos mas os casos que presenciei são bizarros.

PS: Alto da compadecida é show e tem outro que não me recordo que é na mesma linha, o resto é lixo, glorificar a miséria e bandidagem é coisa de intelectual viado.

Angelo da C.I.A. said...

Revelar em um blogue detalhes do filme, inclusive diálogos relevantes e caracaterísticas marcantes de personagens não é uam forma de pirataria?
A PF vai te pegar.

Blogildo said...

Eu não havia pensando por esse ângulo, Angelo. Sei lá!

­ said...

Por causa da sua recomendação, ontem resolvi baixar o filme. Assisti a ele hoje. Muito bom. Quando estrear no cinema, não perco. Aliás, para incentivar os filmes brasileiros politicamente incorretos, vou até comprar o dvd --embora já tenha gravado o filme em dvd. Eu sou um pirata bonzinho: o que gosto, compro. E não jogo dinheiro fora com o que não gostei.

Ah, eu mudaria o final: o boyzinho e a putinha-ongueira deviam morrer tb. Chute na cara foi muito pouco para aquele fdp.

Henrique said...

Dizer que tudo se fez de cinema no Brasil é lixo parte talvez do seu desconhecimento. Eu não concordo.
Talvez voce deva conhecer melhor e livrar-se de seus preconceitos.

Anonymous said...

Boa tarde senhores(as)!
Os senhores(as) me dão permissão para escrver aqui no seu blog?
Muito obrigado...

...Melhor filme nacional! Produção ímpar...

Não se quer dizer, que o Cinema Nacional será visto antes da tropa ou depois da tropa, claro... Mas é de se esperar que tenhamos uma geração que vai conhecer um "novo herói" nacional, bem longe do "baiano" que morreu de 12 na cara!

Fui moleque quando meus heróis eram Juba & Lula - surfe, suco de mamão, boas ações... tudo bem, tinha um "Q" de triângulo amoroso com a feiosa Zelda, mas fico pensando o quão inocente era diante de "Laranjinha e Acerola"...
...Pois é, meus heróis surfistas foram trocados por dois pivetes que se passam por heróis de uma sociedade escravocrata, insensível e denominadora...blá, blá, blá...
Quer saber?
Palmas ao Capitão Nascimento!
Pega essa galera de Carandiru e Cidade de Deus... ah deixa pra lá... acho que eles se contentam com um cheque-cidadão ou um bolsa-família desses.

Galera, esse é o filme que temos todos de assitir no cinema e estourar a bilheteria, mesmo depois de ter vazado o piratão. Sabemn pq?
Pra acabar com essa palhaçada de que pirataria é crime... Crime é CD e DVD sem qualidade de conteúdo vendido a preço de classe média. Assim a gente mostra que produto bom sempre será vendido e produtos duvidosos como "Carandiru" voltem pro saco!
Caveira porra!

Luís Guilherme Fernandes Pereira said...

Ae, rapá! Outra coisa fantástica é quando a garota está preocupada com os amigos dela, e o André responde: "fica tranqüila, eles têm consciência social"

Mas Cidade de Deus é bom, não defende polícia mas não glamouriza bandido também, vale a pena uma segunda assistida.

Tiago Rios said...

Galera, o filme é ótimo, não há dúvidas.

Agora, sobre "pirataria":

É bem diferente vc baixar o filme pela internet gratuitamente do que comprar em camelô ("financiar 'crime' organizado").

O filme custou R$ 10 milhões.

O Padilha afirmou no programa do Jô que 60 % foi "benefício fiscal". Ou seja: R$ 6 milhões foram pagos pelos tributados.

Mais alguma coisa???

É uma arte, que deveria ser pública.

O pessoal chora demais.

Em tese, vai aumentar a concentração de renda (o lucro que o filme der vai pra quem???).

Isso ninguém fala...

Só para constar: assistirei no cinema TAMBÉM. Cada um, cada um.