Wednesday, June 25, 2008

The same medicine we give Republicans.

Ontem eu assisti novamente àquele episódio maneiríssimo de House: Aquele do empregado latino-americano que cai do teto da casa da Dra. Cuddy. É da segunda temporada ("Humpt Dumpt"). Tem uma história paralela muito interessante: Um senhor idoso - negro - faz consulta com o Dr.Foreman (também negro) da equipe do Dr.House. O médico receita um medicamento específico para negros. É que negros têm propensão a problemas de pressão e, em vista disso, há remédios específicos para negros. Quando o coroa ouve a palavra "target" fica logo desconfiado. E aí ele começa com uma ladainha de teoria da conspiração de brancos contra negros. O senhor acha que não existe esse negócio de remédio para branco e remédio para negro. Para ele é tudo conversa fiada e sugere que o jovem Dr.Foreman é um ingênuo. O médico sai com uma tirada ótima: Se você quer ferrar os brancos, viva o bastante para receber a aposentadoria que eles terão de te pagar.
O coroa não se convece. Ele quer um remédio de branco! No dia seguinte está novamente no hospital. E aí, quem o atende é o próprio Dr.House. Depois de dar uma sacaneada no coroa, House vê que não adianta discutir com um sujeito teimoso e diz que vai receitar um remédio para brancos. Mais especificamente: o que ele receita para os republicanos. Só que House, enganando-o, receita um remédio para negros. Mas, ao menos agora, o coroa vai tomar o remédio e parar de encher o saco!
Mas a coisa não pára aí. Na última cena dessa história, House e o Dr.Foreman, que atendeu o paciente primeiro, têm de conversar sobre o caso. House diz que fez o melhor para o cara. Foreman diz que House agiu exatamente como o senhor disse que os brancos agem: enganando.
Dessa vez eu - que geralmente concordo com House - tive de ficar contra o Dr.House. I don't give a shit, se o coroa vai tomar ou não o remédio. O problema é dele! Ele acha que é teoria conspiratória? Então sofra as conseqüências por suas escolhas. Médico não tem o direito de enganar o paciente para fazer o que ele (o médico) julga ser o correto ou o melhor para o paciente. De certo modo, House impôs ao paciente o que ele julgava ser o melhor. E quem decide o que é melhor para o paciente - a partir de opções dadas pelo médico, claro -, ora bolas, é o paciente. Afinal, por quê procuram a famosa "segunda opinião"? Para decidir qual é o melhor tratamento, ou o tratamento mais em conta, ou o menos doloroso etc.
De certo modo, House impôs um tratamento indesejando ao paciente. E por isso, nesse caso, eu concordo com Foreman.

9 comments:

PATRICIA M. said...

Agreed.

Negros americanos formam o grupo mais esquisito com que ja topei na vida. Ate hoje "moaning and groaning" pelos seus "civil rights". Nao sei o que mais que eles querem que caia do ceu em seu colo...

João Batista said...

É que House, mesmo quando perde, sempre ganha, ao menos de acordo com os J.P. Coutettes, que repetem automaticamente tudo que o portuga proclamar. Quer-se fazer crer que House é bacana, assim como se fez com Tropa de Elite. É um fenômeno “memal”, um “spam” da mídia cultural. Ok, pode ser, mas é falso, forçado. De fato, é uma derrota humilhante. O grande manipulador foi incapaz de manipular um bom velhinho, teve de recorrer à trapaça grosseira. Mas será que o bom velinho era tão paranóico assim? Que louco paranóico é esse que não suspeita da trapaça? Os brancos todos conspiram, menos House, que é da área, trabalha com isso, etc. Ele não confia em seus próprios fantasmas, não sem razão (que sanidade!), mas sim no branquelo que há pouco tentou envenenar-lhe com o remédio anti-negro. Será que, afinal, confiou em House, mas manteve a pose como uma saída honrosa? Neste caso não é louco nem enganado, apenas um hipócrita. Ou talvez o paranóico seja eu. Sim, House é um tiraninho. Em troca de seus diagnósticos, exige a liberdade, a submissão de seus pacientes. Ateu, porque deus. Os mantêm sob chantagem mortal. Os pacientes e sua equipe também, que ou trabalha à sua maneira, ou serão cúmplices de uma morte. Satisfação máxima de um delírio de poder. E assim nascem os colaboradores dos tiranos, que os sustentam. Todos cheios de bons princípios e intenções, cederam à chantagem. House está certo em sonhar com seu próprio tiranicídio. Apenas é ingênuo o suficiente para supor que o golpe viria de fora. Não, House é uma bomba-relógio que se destruirá a si próprio. Se sobreviveu ao primeiro vício, insuficiente, foi graças à intervenção externa. Agarra-se a sua perninha como se a definição de sua pessoa, de seu eu, dependesse de um membro inferior, excessivo valor típico para os quadrúpedes, simiesco ao menos. Se House vendesse sua moto, poderia comprar uma prótese de primeira. Quer-se dono do próprio destino. O destino lhe oferece uma saída, uma barganha e tanto, que House, ao rejeitar, apenas reforça a própria dor, alimenta o fantasma que, à noite, lhe aparecerá com uma espada para proclamar a famosa frase: eu sou a ação do seu pensamento. E aí, quando sua perna cair de podre, tornada mineral, e a espada do fantasma operar a amputação, não terá sido por escolha ou mérito que House será capaz de diagnosticar a fonte de sua doença, agora já extirpada.

Mentir, pelo bem da verdade? Esse fedor de enxofre sim, não é remédio que preste, nem para brancos, nem negros. Sem mentiras na medicina. Sem promessas miraculosas de células-tronco embrionárias.

Daniel F. Silva said...

Ou seja, um placebo que funciona.

Reginaldo Almeida said...

House tem desiquilíbrios que excedem a média, também é cada idiota que cruza o seu caminho... Como tratar idiotas crônicos? Ou pior como tratar negros americanos que sofrem de idiotia crônica?

O um dos comentários deste post se pergunta o que os negros americanos ainda esperam. Pois nem eles sabem. Eles são a prova viva de que políticas afirmativas só serviram para aumentar a sua obesidade e piorar a sua atitude.

As chances de um mexicano desdentado e ilegal superar a um negro com passaporte americano em duas gerações é profundamente real, e não creiam que haja menos preconceito contra o mexicano que contra o negro.

Um dia desses li na The Economist um estudo sobre a "poor performance" dos negros americanos em testes de QI, e descobriram que os negros que estudam são segregados na comunidade, porque estudar e tirar boas notas são "white values". Essa gente ainda vai longe....

Luc said...

Acho que você não tem visto suficientemente House...rsrs

Ele sempre trapaceia, mente e engana. Ele está se lixando para os pacientes. Everybody lies!

Quem se procupa com os paciente é a Cameron ou a Cudy.

O House quer respostas para os seus enigmas!!

Por isso, o episódio mais instigante que eu vi foi de uma menina que estava morrendo e se recusou a saber o motivo. Ele quase tem um treco por causa disso. Ele não consegue conceber que alguém não sinta alívio por saber a resposta.

Eu sou suspeitíssima, adoro o House, mas eu sempre gostei dos bad guys, isso não é novidade.

bjus milk
Luc

O Direitista said...

É curioso, se ele é tão descrente de tudo, se todos mentem e são egoístas, por que o House se importa com o tal sujeito? Às vezes me parece que, se nós muitas vezes nos espantamos com o mal, com Deus permitir o mal, House não consegue explicar o bem. De qualquer forma, só passei para te mandar um abraço, Onildo...

Suzy said...

Parece que o Dr. House tem um gen meio petralha nesse episódio, não?

Reginaldo Almeida said...

Suzy, tenho que discordar. Ele pode ser louco mas não é burro nem preguiçoso, isso sim o que os petralhas são.

João Batista said...

O debate em House nem mesmo está nos termos corretos:

http://www.housemd-guide.com/season4/402rightstuff.php

“One of the candidates (Number 18) is a Mormon and when House needs someone who doesn't drink, he brings him in and convinces him to take part in a drinking experiment to help diagnose the patient, "I know what I believe. I'm just not quite sure what you believe."
"Well LDS doesn't try to dictate every detail of our lives. When a situation isn't clear, we're encouraged to make our own decisions."
"But your judgement was to say no. You used my judgement."
"You made a good argument."
"Rational arguments don't usually work on religious people. Otherwise there would be no religious people."
"You're an atheist."
"Only on Christmas and Easter. The rest of the time, it doesn't really matter."
"Where's the fun in that? A finite, un-mysterious universe—"
"It's not about fun! It's about the truth."
"The truth is, we're having this debate because you want to figure something out about me." At that moment House (who has had four drinks, thinks he sees Foreman.”

Are you fucking kidding me? House é como aquele cara que a Veja entrevistou. Ao enfrentar idiotas, sente-se um gênio. O melhor foi a besta responder “where’s the fun in that”… e falar num universo finito, ou seja, para ele o universo é infinito, ou seja, não há nada além dele, ou seja, não há Deus. Os roteiristas conseguiram fazer um Mórmon passar por ateu inconsciente. Lixo. Qual é a moral? Se você é ateu, não vá estudar, e sim pentelhar o sujeito religioso mais próximo, quem sabe você aprende alguma coisa, ou ao menos se distrai.